Não
há registro arqueológico ou histórico da existência
de Moisés ou dos fatos descritos no Êxodo. A libertação
dos hebreus, escravizados por um faraó egípcio, foi
incluída na Torá provavelmente no século VII
a.C., por obra dos escribas do Templo de Jerusalém, em uma
reforma social e religiosa. Para combater o politeísmo e o
culto de imagens, que cresciam entre os judeus, os rabinos inventaram
um novo código de leis e histórias de patriarcas heróicos
que recebiam ensinamentos diretamente de Jeová. Tais intenções
acabaram batizadas de "ideologia deuteronômica", porque
estão mais evidentes no livro Deuteronômio. A prova de
que esses textos são lendas estaria nas inúmeras incongruências
culturais e geográficas entre o texto e a realidade. Muitos
reinos e locais citados na jornada de Moisés pelo deserto não
existiam no século XIII a.C., quando o Êxodo teria ocorrido.
Esses locais só viriam a existir 500 anos depois, justamente
no período dos escribas deuteronômicos. Também
não havia um local chamado Monte Sinai, onde Moisés
teria recebido os Dez Mandamentos. Sua localização atual,
no Egito, foi escolhida entre os séculos IV e VI d.C., por
monges cristãos bizantinos, porque ele oferecia uma bela vista.
Já as Dez Pragas seriam o eco de um desastre ecológico
ocorrido no Vale do Nilo quando tribos nômades de semitas estiveram
por lá.
Vejamos
agora o caso de Abraão, o patriarca dos judeus. Segundo a Bíblia,
ele era um comerciante nômade que, por volta de 1850 a.C., emigrou
de Ur, na Mesopotâmia, para Canaã (na Palestina). Na
viagem, ele e seus filhos comerciavam em caravanas de camelos. Mas
não há registros de migrações de Ur em
direção a Canaã que justifiquem o relato bíblico
e, naquela época, os camelos ainda não haviam sido domesticados.
Aqui também há erros geográficos: lugares citados
na viagem de Abraão, como Hebron e Ber-
sheba, nem existiam então. Hoje, a análise filológica dos textos indica que Abraão foi introduzido na Torá entre os séculos VIII e VII a.C. (mais de 1 000 anos após a suposta viagem).
sheba, nem existiam então. Hoje, a análise filológica dos textos indica que Abraão foi introduzido na Torá entre os séculos VIII e VII a.C. (mais de 1 000 anos após a suposta viagem).
Então,
como surgiu o povo hebreu? Na verdade, hebreus e canaanitas são
o mesmo povo. Por volta de 2000 a.C., os canaanitas viviam em povoados
nas terras férteis dos vales, enquanto os hebreus eram nômades
das montanhas. Foi o declínio das cidades canaanitas, acossadas
por invasores no final da Idade do Bronze (300 a.C. a 1000 a.C.),
que permitiu aos hebreus ocupar os vales. Segundo a Bíblia,
os hebreus conquistaram Canaã com a ajuda dos céus:
na entrada de Jericó, o exército hebreu toca suas trombetas
e as muralhas da cidade desabam, por milagre. Mas a ciência
diz que Jericó nem tinha muralhas nessa época. A chegada
dos hebreus teria sido um longo e pacífico processo de infiltração.
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