Há
pouca dúvida de que David e Salomão existiram. Mas há
muita controvérsia sobre seu verdadeiro papel na história
do povo hebreu. A Bíblia diz que a primeira unificação
das tribos hebraicas aconteceu no reinado de Saul. Seu sucessor, David,
organizou o Estado hebraico, eliminando adversários e preparando
o terreno para que seu filho, Salomão, pudesse reinar sobre
um vasto império. O período salomônico (970 a.C.
a 930 a.C.) teria sido marcado pela construção do Templo
de Jerusalém e a entronização da Arca da Aliança
em seu altar.
Não há registros históricos ou arqueológicos da existência de Saul, mas a arqueologia mostra que boa parte dos hebreus ainda vivia em aldeias nas montanhas no período em que ele teria vivido (por volta de 1000 a.C.) - assim, Saul seria apenas um entre os muitos líderes tribais hebreus. Quanto a David, há pelos menos um achado arqueológico importante: em 1993 foi encontrada uma pedra de basalto datada do século IX a.C. com escritos que mencionam um rei David.
Não há registros históricos ou arqueológicos da existência de Saul, mas a arqueologia mostra que boa parte dos hebreus ainda vivia em aldeias nas montanhas no período em que ele teria vivido (por volta de 1000 a.C.) - assim, Saul seria apenas um entre os muitos líderes tribais hebreus. Quanto a David, há pelos menos um achado arqueológico importante: em 1993 foi encontrada uma pedra de basalto datada do século IX a.C. com escritos que mencionam um rei David.
Por
outro lado, não há qualquer evidência das conquistas
de David narradas na Bíblia, como sua vitória sobre
o gigante Golias. Ao contrário, as cidades canaanitas mencionadas
como destruídas por seus exércitos teriam continuado
sua vida normalmente. Na verdade, David não teria sido o grande
líder que a Bíblia afirma. Seu papel teria sido muito
menor. Ele pode ter sido o líder de um grupo de rebeldes que
vivia nas montanhas, chamados apiru (palavra de onde deriva a palavra
hebreu) - uma espécie de guerrilheiro que ameaçava as
cidades do sul da Palestina. Quanto ao império salomônico
cantado em verso e prosa na Torá hebraica, a verdade é
que não foram achadas ruínas de arquitetura monumental
em Jerusalém ou qualquer das outras cidades citadas na Bíblia.
O
principal indício de que as conquistas de David e o império
de Salomão são, em sua maior parte, invenções
é que, no período em que teriam vivido, a arqueologia
prova que a cultura canaanita (que, segundo a Bíblia, teria
sido destruída) continuava viva. A conclusão é
que David e Salomão teriam sido apenas pequenos líderes
tribais de Judá, um Estado pobre e politicamente inexpressivo
localizado no sul da Palestina.
Na
verdade, o grande momento da história hebraica teria acontecido
não no período salomônico, mas cerca de um século
mais tarde. Entre 884 e 873 a.C., foi fundada Samária, a capital
do reino de Israel, no norte da Palestina, sob a liderança
do rei israelita Omri. Enquanto Judá permanecia pobre e esquecida
no sul, os israelitas do norte faziam alianças com os assírios
e viviam um período de grande desenvolvimento econômico.
A arqueologia demonstrou que os monumentos normalmente atribuídos
a Salomão foram, na verdade, erguidos pelos omridas. Ou seja:
o primeiro grande Estado judaico não teve a liderança
de Salomão, e sim dos reis da dinastia omrida.
Enriquecido
pelos acordos comerciais com Assíria e Egito, o rei Ahab, filho
de Omri, ordena a construção dos palácios de
Megiddo e as muralhas de Hazor, entre outras obras. Hoje, os restos
arqueológicos desses palácios e muralhas são
o principal ponto de discórdia entre os arqueólogos
que estudam a Torá. Muitos ainda os atribuem a Salomão,
numa atitude muito mais de fé do que de rigor científico,
já que as datações mais recentes indicam que
Salomão nunca ergueu palácios.
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