No
evangelho de São Lucas, encontramos um dos aspectos mais relevantes a
respeito da Crucificação e que é narrado, igualmente, em outras crônicas
antigas, mas que com frequência, não é levado na devida conta pelos
exegetas da Bíblia: apesar de ser costume quebrar os ossos do corpo dos
crucificados e fazê-los pender da cruz por vários dias, para que não
houvesse qualquer possibilidade de sobrevivência, o corpo de Jesus foi
retirado da cruz sem que seus ossos fossem quebrados.
O que
houve não pode ser posto à causa de um descuido dos soldados, pois estavam
acostumados a fazer ao longo dos anos. Por esta razão, não podemos
acreditar que se esquecessem de quebrar os ossos de Jesus.
A
Versão dos Evangelhos
De
onde teria vindo a nossa crença que Jesus teria "morrido" na
cruz?
Se
observar-mos os Evangelhos, nenhum deles, nem o de Matheus, nem o de
Marcos, nem o de Lucas, nem o de João afirmam - como fruto da
observação de cada um destes discípulos, que Jesus morreu na
cruz ou que já estava morto quando O removeram da cruz e O puseram
na tumba.
No
Evangelho de São João (XIX:33) está dito que os soldados
acreditaram que Jesus estivesse morto, porém São João não faz
nenhuma afirmação em seu próprio nome e quando, mais adiante, menciona a
lança enfiada no corpo de Jesus, não há motivos para não acreditar que se
tratasse de uma ferida superficial. Por outro lado, o fato de sangue e
água jorrarem de sua ferida, pode indicar que Ele ainda estava vivo.
Porém, não há como se ter a mais absoluta certeza pois a forma como o
corpo dos crucificados pendia, fazia com que o sangue se acumulasse nas
extremidades inferiores e também que líquidos se acumulassem nos pulmões.
Se o soldado que perfurou seu corpo com a lança (para se certificar se
ainda estava vivo (?)) atingiu um dos pulmões, é bem provável que "sangue
e água" jorrassem de sua ferida.
O
Credo dos Apóstolos,
Neste
Credo, comumente usado por todas as igrejas cristãs, há uma afirmação
segundo a qual Jesus sofreu e morreu na cruz e é crença geral que
as declarações contidas nesta obra foram extraídas de outras, formuladas
pelos Apóstolos. A verdade, porém, é que a atual versão do Credo dos
Apóstolos passou por inúmeras modificações ou alterações, no curso dos
séculos após a Crucificação, durante os inúmeros altos concílios da Santa
Igreja.
No
Evangelho de São Lucas (XXIV:5) se pergunta àqueles que buscam Jesus: "Por
que procurai entre os mortos aquele que vive?".
Não
há, igualmente nos primeiros textos do referido Credo, nem tampouco nas
atas das reuniões havidas nos concílios da Igreja, que os alteraram no
curso dos séculos, nada que testemunhe tenha Jesus morrido na cruz ou no
sepulcro, imediatamente após a Crucificação.
A
própria Enciclopédia Católica admite que várias altas autoridades
haviam afirmado que o referido Credo não foi composto senão na segunda
metade do século V de nossa Era e que não passa da mais pura lenda,
forjada no curso do século VI, a suposta elaboração do Credo dos
Apóstolos, no dia de Pentecostes.
Com
base nestas afirmações, talvez devessemos re-avaliar a crença de que Jesus
teria morrido na cruz…
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