Entender
a história de Judá é fundamental para entender
todo o Velho Testamento. Até o século VIII a.C., Judá
era apenas uma reunião de tribos vivendo numa região
desértica do sul da Palestina. Em 722 a.C., porém, os
assírios resolvem conquistar as ricas planícies e cidades
de Israel - o reino do norte, mais desenvolvido economicamente e mais
culto. Judá, no sul, que não pareceu interessar aos
assírios, pôde continuar independente, desde que pagasse
tributos ao império assírio.
Assim,
enquanto no norte acontece uma desintegração dos hebreus,
levados para a Assíria como escravos, no sul eles continuam
unidos em torno do Templo de Jerusalém. Judá beneficiou-se
enormemente da destruição do reino do norte. Jerusalém
cresceu rapidamente e cidades como Lachish, que servia de passagem
antes de chegar a Jerusalém, foram fortificadas. Era o momento
de Judá tomar a frente dos hebreus. Para isso, precisaria de
duas coisas: um rei forte e um arsenal ideológico capaz de
convencer as tribos do norte de que Judá fora escolhida por
Deus para unir os hebreus. Além disso, era preciso combater
o politeísmo que voltava a crescer no norte.
Josias
foi o candidato a assumir a posição de rei unificador.
Durante uma reforma no Templo de Jerusalém, em seu governo,
foi "encontrado" (na verdade, não há dúvidas
de que o livro foi colocado ali de propósito) o livro Deuteronômio,
com todos os ingredientes para um ampla reforma social e religiosa.
O livro possui até profecias que afirmam, por exemplo, que
um rei chamado Josias, da casa de David, seria escolhido por Deus
para salvar os hebreus. Ungido pelo relato do livro, o ardiloso Josias
consegue seu objetivo de centralizar o poder, mas acaba morto em batalha.
Judá revolta-se contra os assírios e o rei da Assíria,
Senaqueribe, invade a região, destruindo Lachish e submetendo
Jerusalém. A destruição de Lachish, narrada com
riqueza de detalhes na Bíblia, também aparece num relevo
encontrado em Nínive, a antiga capital assíria. E as
escavações comprovaram que a Bíblia e o relevo
são fiéis ao acontecido. Ou seja: nesse caso, a arqueologia
provou que a Torá foi fiel aos fatos.
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